Barthes, Semiótica Social e Multimodalidade: influências e superações

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Neste artigo, Semiologia é o termo que reúne estudos semióticos de Roland Barthes; e Semiótica Social, por sua vez, reúne o estudo sistêmico e funcional de Gunther Kress, Bob Hodge e Theo van Leeuwen, incluindo a abordagem da multimodalidade. Posto isto, o objetivo é discutir analítica e reflexivamente as convergências e divergências entre essas semióticas, com vistas a demonstrar como a Semiologia contribuiu para fundamentar a Semiótica Social, ao mesmo tempo que esta avança ao superar dualismos e visões de arbitrariedade na produção de sentido presentes naquela. As análises partiram da interlocução entre as obras dessas semióticas, sobretudo a partir do conceito de mito de Barthes ([1957]/2009) em convergência com princípios sociais, ideológicos e discursivos da Semiótica Social de Hodge e Kress (1988). Depois, o artigo demonstra divergências entre as semióticas no que se refere às noções de arbitrariedade e motivação, a partir de Barthes ([1964]/1974) e Kress (2010). Como síntese, no intuito de demonstrar possibilidades analíticas para a semiótica como ciência que abrange outros signos além do linguístico, o artigo analisa elementos de capa de revista a partir de pressupostos da multimodalidade de Kress e van Leeuwen (2021), cuja imagem outrora foi analisada por Barthes (2009) com pressupostos estruturalistas de langue/fala e de conotação/denotação, ainda que ele tenha buscado superá-los, afastando-se da premissa do signo de sentido único, fixo e arbitrário que esses pressupostos podem suscitar. Por isso as críticas de Barthes aos mitos do poder hegemônico continuam válidas mesmo na comunicação contemporânea.

PALAVRAS-CHAVE: semiologia; mito; semiótica social; multimodalidade.